Prédio do Dopinha dará lugar ao Centro de Memória Ico Lisboa

Prefeitura de Porto Alegre comprará imóvel onde funcionou o “Dopinha”, local que serviu à ditadura militar como centro de repressão e tortura, entre 1964 e 1966.  No prédio será organizado um memorial para auxiliar na construção da memória e história desse período e, ao mesmo tempo, prestará uma homenagem a Luiz Eurico Tejera Lisboa, primeiro desaparecido político, cujo corpo foi encontrado.

Conforme compromisso assumido quinta-feira (05.05) entre o prefeito José Fortunatti, representantes do Comitê Carlos de Ré, os deputado Pedro Ruas (PSOL) e Jeferson Fernandes (PT), as vereadoras Fernanda Melchiona (PSOL) e Jussara Cony (PCdoB, após a desapropriação do imóvel pela prefeitura, o Comitê Carlos de Ré será o responsável pela administração do Centro de Memória Ico Lisboa, juntamente com outras ONGS de Direitos Humanos.

O deputado Pedro Ruas, integrante da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa e do Comitê Carlos de Ré, destacou: “O Dopinha é um sítio de memória e se tornará referência internacional contra a tortura e a favor dos direitos humanos no Cone Sul”.

Fortunati ressaltou que negociará com a família proprietária: “a gente assume plenamente a compra do imóvel através da negociação da compra de índices construtivos. Vou solicitar a secretaria da fazenda agilidade deste processo, pela importância histórica que o projeto tem”, reiterou o prefeito.

Susana Lisboa, viúva de Ico Lisboa, destacou a importância do fato: “esse gesto do prefeito é fundamental num momento em que o país passar por um perigoso retrocesso, onde muitos pedem a volta da ditadura”, disse emocionada.

 DOPINHA

Prédio alugado clandestinamente pelo Exército em 1964, é considerado o primeiro centro de tortura construído para essa finalidade. O casarão operou até meados de 1966. Um dos torturados e mortos no casarão foi o sargento Manoel Raimundo Soares, que, depois de morto, teve seu corpo atirado no Rio Jacuí. Apesar de ter as mãos amarradas, o laudo emitido pelas autoridades da época apontava que a causa da morte era suicídio. O episódio ficou conhecido como Caso das Mãos Amarradas.

COMITÊ CARLOS DE RÉ
Comissão organizada para lembrar, revelar, revisar e fixar na memória de todos os cidadãos do Brasil, os atos de violência praticados contra o povo brasileiro pela ditadura militar, entre 1964 e 1985. Atua para esclarecer a verdade e identificar as vítimas e os torturadores, bem como evitar sua repetição no presente e futuro.

Jornalista Marisa Schneider
MTB 7517

 

 

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