O Segundo turno para o PSOL

Crédito: Hugo Scotte

Essa é a nossa posição sobre o segundo turno das Eleições:

Nenhum voto a Serra

18/10/2010

O PSOL – Partido Socialismo e Liberdade mereceu a confiança de mais de um milhão de brasileiros que votaram nas eleições de 2010. Nossa aguerrida militância foi decisiva ao defender nossas propostas para o país e sobre ela assentou-se um vitorioso resultado.

Sentimos-nos honrados por termos tido Plínio de Arruda Sampaio e Hamilton Assis como candidatos à presidência da República e a vice, que de forma digna foram porta vozes de nosso projeto de transformações sociais para o Brasil. Comemoramos a eleição de três deputados federais (Ivan Valente/SP, Chico Alencar/RJ e Jean Wyllys/RJ), quatro deputados estaduais (Marcelo Freixo/RJ, Janira Rocha/RJ, Carlos Giannazi/SP e Edmilson Rodrigues/PA) e dois senadores (Randolfe Rodrigues/AP e Marinor Brito/PA). Lamentamos a não eleição de Heloísa Helena para o Senado em Alagoas e a não reeleição de nossa deputada federal Luciana Genro no Rio Grande do Sul, bem como do companheiro Raul Marcelo, atual deputado estadual do PSOL em São Paulo.

Em 2010 quis o povo novamente um segundo turno entre PSDB e PT. Nossa posição de independência não apoiando nenhuma das duas candidaturas está fundamentada no fato de que não há por parte destas nenhum compromisso com pontos programáticos defendidos pelo PSOL. Sendo assim, independentemente de quem seja o próximo governo, seremos oposição de esquerda e programática, defendendo a seguinte agenda: auditoria da dívida pública, mudança da política econômica, prioridade para saúde e educação, redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, defesa do meio ambiente, contra a revisão do código florestal, defesa dos direitos humanos segundo os pressupostos do PNDH3, reforma agrária e urbana ecológica e ampla reforma política – fim do financiamento privado e em favor do financiamento público exclusivo, como forma de combater a corrupção na política.

No entanto, o PSOL se preocupa com a crescente pauta conservadora introduzida pela aliança PSDB-DEM, querendo reduzir o debate a temas religiosos e falsos moralismos, bloqueando assim os grandes temas de interesse do país. Por outro lado, esta pauta leva a candidatura de Dilma a assumir posição ainda mais conservadora, abrindo mão de pontos progressivos de seu programa de governo e reagindo dentro do campo de idéias conservadoras e não contra ele. Para o PSOL, a única forma de combatermos o retrocesso é nos mantermos firmes na defesa de bandeiras que elevem a consciência de nosso povo e o nível do debate político na sociedade brasileira.

As eleições de 2002, ao conferir vitória a Lula, traziam nas urnas um recado do povo em favor de mudanças profundas. Hoje é sabido que Lula não o honrou, não cumpriu suas promessas de campanha e governou para os banqueiros, em aliança com oligarquias reacionárias como Sarney, Collor e Renan Calheiros. Mas aquele sentimento popular por mudanças de 2002 era também o de rejeição às políticas neoliberais com suas conseqüentes privatizações, criminalização dos movimentos sociais – que continuou no governo Lula -, revogação de direitos trabalhistas e sociais.

Por isso, o PSOL reafirma seu compromisso com as reivindicações dos movimentos sociais e as necessidades do povo brasileiro. Somos um partido independente e faremos oposição programática a quem quer que vença. Neste segundo turno, mantemos firme a oposição frontal à candidatura Serra, declarando unitariamente “NENHUM VOTO EM SERRA”, por considerarmos que ele representa o retrocesso a uma ofensiva neoliberal, de direita e conservadora no País. Ao mesmo tempo, não aderimos à campanha Dilma, que se recusou sistematicamente ao longo do primeiro turno a assumir os compromissos com as bandeiras defendidas pela candidatura do PSOL e manteve compromissos com os banqueiros e as políticas neoliberais. Diante do voto e na atual conjuntura, duas posições são reconhecidas pela Executiva Nacional de nosso partido como opções legítimas existentes em nossa militância: voto crítico em Dilma e voto nulo/branco.  O mais importante, portanto, é nos prepararmos para as lutas que virão no próximo período para defender os direitos dos trabalhadores e do povo oprimido do nosso País.

Executiva Nacional do PSOL

4 thoughts on “O Segundo turno para o PSOL

  1. Joyce Avelal

    O texto acima é muito bem recebido por pessoas como eu que simpatizam e votam no PSOL sem o vínculo partidário.
    Acredito que além do que foi dito, é preciso que o PSOL se concentre em crescer e se organizar ainda mais, sob pena de, sem termos uma oposição de esquerda atuante e solidária com a maioria da população, as elites conservadoras ampliem suas cadeiras e espaços públicos e comecemos a assistir ao retroceder das lutas de décadas.
    Do meu ponto de vista, além de buscar o apoio da juventude para a conscientização política, é também um bom momento para o PSOL resgatar os antigos simpatizantes e militantes de esquerda do país, pessoas que com mais de quarenta anos ainda lembram de suas passeatas por diretas, suas lutas sindicais e estudantis e que perderam a confiança no PT mas que continuam votando neles com medo de um possível retrocesso. A expressiva votação do Partido Verde deve servir não apenas como uma justificativa (válida, claro), para o pequeno crescimento do PSOL no país, mas deve servir de estímulo a uma reflexão interna sobre as ferramentas de conscientização e luta do partido.
    Quero continuar votando no PSOL, todos os políticos eleitos e não eleitos que compõem esse partido representam com honra e verdade os meus pontos de vista, mas gostaria de enxergar cada dia mais os militantes nas ruas e engajados em batalhas mais específicas e populares porque deste engajamento é que vão surgir os votos necessários para legitimar o partido e impedir que injustiças como a que aconteceu com Luciana Genro e Heloísa Helena se repitam também nas próximas eleições.

  2. Prezado amigo Pedro,
    Cumprimento a ti e a todos do PSOL pela postura e grandeza manifestada na nota oficial que recomenda nenhum voto em Serra neste 2º turno.
    Por outro lado, conheço a tua história há quase 30 anos. Fui teu assessor na Camara quando assumistes do teu primeiro mandato em 2005.
    Sei que tivestes uma boa convivência com Carlos Araújo e com Dilma, até pela tua atividade profissional junto do saudoso Luiz Heron. Tenho a certeza absoluta de que não irás anular o teu voto. Tua trajetória contra a ditadura e a luta pelo restabelecimento do direito de votar me dão esta confiança de votarás em Dilma. Acho que há espaço político suficiente (até como líder nacional do PSOL) para que tu se manifeste como eleitor e como agente político formador de opinião. Forte e fraterno abraço! Haroldo Britto (kiko)

  3. Caroline Machado

    Apesar de não ser filiada ao Psol, desde o surgimento do partido me identifico com as ideologias que são defendidas por vocês. Confesso que fiquei muito chateada pela Luciana Genro não ter sido eleita, porém fico muito feliz pois o Psol está cada dia mais reconhecido pela sua luta.

  4. Amigo Pedro.

    Estou passando por aqui para dizer que meu voto foi do Psol para sempre , próximo passo filiação, coisa que nunca fiz , mas tenho certeza esta é a hora.
    Beijo e continuo acreditando nos teus ideias.

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