A semana vista pelo PSOL

Aposentados: Lula reúne ministros para limitar reajuste em 7%

Nesta sexta-feira, 23, o presidente Lula reúne vários ministros para “afinar o discurso” contra um reajuste maior que 7% para os aposentados que ganham mais de um salário mínimo. Descontada a inflação (medida pelo INPC), o reajuste é de apenas 3%. Lula rejeita até mesmo um reajuste de meros 7,7% (sob a justificativa de que ele custaria R$ 700 milhões anuais para o INSS), afirmando que isso comprometeria as contas da Previdência. Usando suas costumeiras metáforas, afirmou que “ao colocar no prato das pessoas, tenho que saber a quantidade de comida que tem na panela”.

Cabe então comentarmos que boa parte da comida dessa panela tem sido destinada ao prato de alguns poucos privilegiados, por meio do instrumento da DRU – Desvinculação das Receitas da União, que no ano passado retirou R$ 39 bilhões da Seguridade Social, para garantir o cumprimento das metas de superávit primário. Para termos uma idéia desse valor, ele permitiria um aumento 55 vezes maior que o reajuste tão temido pelo presidente Lula (de 7% para 7,7%).

Para negociar com o Congresso, o governo prepara uma nova proposta: garantir o reajuste de 7,7% apenas para aposentados que ganham entre 1 e 3 salários mínimos, e baixar para 6,14% o reajuste dos que ganham mais de 3 salários mínimos. Além de tal proposta dividir os aposentados (jogando “pobres contra remediados”), ela ainda é enganosa, pois analisando-se as estatísticas do INSS, verifica-se que dessa forma o governo gastaria menos do que com um reajuste único de 7%.

EUA propõem reforma do sistema financeiro mundial

Nesta semana, ocorrem em Washington reuniões que discutem as reformas do sistema financeiro, do FMI e do Banco Mundial. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defende o fim do uso de dinheiro público para salvar bancos da falência, enquanto até mesmo o FMI defende a instituição de taxas sobre os bancos, para a formação de um fundo para eventuais pacotes de salvamento do setor financeiro.

Porém, tais propostas são feitas somente depois que os governos disponibilizaram trilhões de dólares para salvar bancos, o que implicou em grande aumento do endividamento público. Além do mais, as primeiras projeções da receita de tal fundo apontam para algumas dezenas de bilhões de dólares anuais, valor esse irrisório perto da ajuda trilionária disponibilizada generosamente àqueles que sempre se julgaram com moral para cobrar questionáveis dívidas de países como o Brasil.

O governo brasileiro afirma que apoia a reforma do sistema financeiro, e que o Brasil não disponibilizou um só centavo para salvar bancos durante a crise. Porém, cabe ressaltar que os bancos no Brasil continuaram batendo recordes de lucros durante a crise exatamente porque ganham rios de dinheiro com os juros da dívida pública.

O governo brasileiro também defende uma reforma das instituições financeiras multilaterais (como o FMI) de forma a dar maior poder aos países como o Brasil, o que supostamente contribuiria para o fim das imposições neoliberais do Fundo. Porém, cabe ressaltar, novamente, que o governo brasileiro já incorporou a agenda econômica do FMI, fazendo superávits primários, limitando os reajustes dos aposentados etc.

Grécia: continua a chantagem dos rentistas

Enquanto líderes mundiais anunciam supostas punições ao setor financeiro, os rentistas continuam livremente chantageando os países, levando-os a cortarem gastos sociais para pagar a dívida. Nesta quinta-feira, 22, outra agência de classificação de risco rebaixou a dívida da Grécia. Tal rebaixamento dificulta o acesso desse país a novos empréstimos, levando-o a fechar logo um acordo com o FMI, que significará o aprofundamento das nefastas medidas neoliberais, como as reformas da previdência e prejuízo aos servidores públicos e a toda a população.

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